top of page

Eldy Magalhães diz que tumulto na Câmara de Arcoverde expôs crise política e anuncia medidas contra Israel Rubis e Célia

Em entrevista ao Jornal Itapuama, advogado nega provocação, acusa ex-vice-prefeito de tentar agredi-lo, contesta parecer pelo arquivamento do caso Claudelino Costa e diz que vai à Corregedoria e à Justiça


Por Raul Silva, da redação de O estopim - para a Rádio Itapuama FM | 21 de abril de 2026


Homem de terno e gravata vermelha fala ao microfone. Fundo azul com letras "ÂMARA" visíveis. Atmosfera formal e profissional.
Eldy Magalhães em sua fala na Câmara de Vereadores de Arcoverde na seção desta segunda (20) | Foto: Reprodução/YouTube da Câmara de Vereadores de Arcoverde

O advogado Eldy Magalhães afirmou, em entrevista por telefone concedida à jornalista Zalxijoane Lins no Jornal Itapuama, que o tumulto generalizado registrado na noite de segunda-feira, 20, na Câmara de Vereadores de Arcoverde nasceu da disputa em torno do processo político-administrativo contra o ex-vereador Claudelino Costa, foi agravado por embates em plenário e terminou com acusações cruzadas entre ele, o ex-vice-prefeito e delegado Israel Rubis e a vereadora Célia Galindo. Eldy negou ter provocado Israel, disse que pretende acionar a Corregedoria de Polícia e afirmou que também vai buscar reparação nas esferas cível e criminal.


A entrevista ocorreu menos de 24 horas depois de uma sessão que terminou sem conclusão regular dos trabalhos, em meio a gritos, interrupções e forte repercussão política na cidade. O caso ganhou dimensão maior porque a discussão em plenário tratava de um processo que, dias antes, havia sido recolocado em movimento por decisão judicial, o que elevou a temperatura do debate dentro e fora da Casa.


Antes da entrevista à Rádio Itapuama, o ambiente já estava carregado por uma fala de Eldy na tribuna, que circulou em vídeo e ajudou a explicar a reação posterior de Israel Rubis. No trecho transcrito enviado à reportagem, o advogado diz:


“...É com muita satisfação que nós estamos aqui, nessa noite de hoje, logrando êxito no pleito que a gente plantou aqui ainda no ano de 2025, o qual foi tentado ser achincalhado por um advogado parlapatão que, do alto dessa tribuna, deblaterava como um cachorro bradando, sem nenhum conhecimento técnico, se escondendo na imagem de um irmão delegado.Mas o povo de Arcoverde fez a repercussão necessária, não teve medo do distintivo do delegado, nem da carteira sem nível de seu irmão.”

O conteúdo da fala foi lido, na prática, como a passagem em que a discussão jurídica transbordou para o terreno pessoal e político. Foi a partir daí que o bate-boca escalou, a sessão saiu do eixo e a noite terminou com versões conflitantes sobre o que ocorreu na saída do plenário.


Na conversa com Zalxijoane Lins, Eldy tentou reorganizar sua versão dos fatos e afirmou que não havia chamado Célia Galindo de pessoa sem confiança. Segundo ele, a crítica foi dirigida ao comportamento político da vereadora.


“Eu não disse que Célia era uma pessoa sem confiança. Eu disse que Célia agia por conveniência política e não que ela não era uma pessoa de confiança.”

Ao relatar o momento de maior tensão, o advogado responsabilizou Israel Rubis pela escalada física do confronto.


“Ele foi um homem totalmente desequilibrado, agressivo, armado dentro da Câmara de Vereadores, tentando partir pra me agredir fisicamente.”

No mesmo trecho da entrevista, Eldy negou que tenha provocado o delegado.


“De forma alguma eu provoquei o delegado, até porque eu não sou de provocar ninguém.”

Ao falar sobre os próximos passos, ele disse que pretende judicializar o caso e acionar instâncias de controle.


“eu vou tomar as providências legais, vou representá lo na Corregedoria de Polícia, vou entrar com um processo por reparação cível, processo criminal.”

E, ao tratar do foco principal da disputa, reafirmou a defesa de continuidade do processo contra o ex-vereador.


“O processo segue a marcha normal até o seu final, culminando com a votação dos vereadores pela cassação, por meio da inelegibilidade dos direitos políticos do ex-vereador Laudelino.”

A sessão de segunda-feira terminou em confusão e foi encerrada sem normalidade depois do agravamento do bate-boca em torno da fala de Eldy na Tribuna Popular. Também está documentado que o advogado atuou em nome do empresário Micael Lopes de Gois no mandado de segurança que questionou a paralisação do processo político-administrativo envolvendo Claudelino Costa.


Homem de terno preto e gravata roxa em pé, mãos cruzadas. Fundo bege. Expressão séria. Ambiente interno.
Eldy Magalhães | Fonte: Assessoria de Eldy Magalhães

A decisão da 2ª Vara Cível da Comarca de Arcoverde, assinada em 17 de abril, reconheceu a ilegalidade da suspensão do processo pela Câmara e determinou o imediato prosseguimento do rito previsto no Decreto-Lei nº 201/1967. O Judiciário, porém, negou o pedido de afastamento cautelar do então vereador do mandato e da vice-presidência da Casa. Na prática, a sessão de 20 de abril ocorreu sob pressão institucional, com o Legislativo tendo de decidir como reagiria à ordem judicial e ao parecer que defendia o arquivamento por perda do objeto após a renúncia.


A entrevista de Eldy não foi apenas uma resposta emocional ao tumulto. Ela também funcionou como uma tentativa de sustentar, para a opinião pública, a tese que ele vinha defendendo desde 2025. Segundo essa linha, a renúncia de Claudelino Costa não encerraria automaticamente o processo político-administrativo, sobretudo porque a discussão envolveria também consequências políticas futuras.


Foi nesse ponto que a sessão se tornou explosiva. De um lado, havia o parecer atribuído a Célia Galindo, favorável ao arquivamento sob o argumento de perda do objeto. De outro, a posição do advogado e do grupo que defende Micael Lopes, para quem a Câmara ainda precisava oferecer uma resposta institucional de mérito. A decisão judicial que mandou retomar o processo deu novo fôlego a essa tese e empurrou a crise para dentro do plenário.


Em sua fala nesta manhã Eldy apresenta uma narrativa clara de vítima de agressão e de reação desproporcional por parte de Israel Rubis. Essa, porém, não é a única versão em circulação. Na cobertura local, Israel sustenta que foi ofendido, que teve a imagem atacada e que houve dedo no rosto durante a confusão. O contraste entre os relatos mostra que o episódio permanece cercado por disputa de narrativas.


O que a reportagem consegue afirmar com segurança, neste momento, é que houve tumulto, que a sessão terminou sob forte desordem e que a tensão não se limitou à divergência técnica sobre o caso Claudelino. O debate passou a misturar processo legislativo, ressentimentos políticos, ataques pessoais e uma crise de autoridade dentro da Câmara.


Ao anunciar representação na Corregedoria e ações nas esferas cível e criminal, Eldy transforma a entrevista em uma etapa nova do conflito. O caso deixa de ser apenas um episódio de plenário e passa a ter desdobramento institucional fora da Câmara. Ao mesmo tempo, a Casa segue pressionada a dar destino ao processo político-administrativo que esteve na origem da crise.


Se a Câmara optar por encerrar a controvérsia com novo arquivamento, a tendência é que o embate volte ao Judiciário. Se decidir avançar, o caso seguirá como mais um capítulo de uma disputa que já ultrapassou o rito formal e se converteu em crise política aberta em Arcoverde.


O que a entrevista de Eldy expõe, no fim, é um Legislativo atravessado por animosidades acumuladas, por interpretações opostas sobre os limites da renúncia e por um ambiente em que a política local deixou de caber apenas no campo da argumentação jurídica.


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page