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Contra o câncer de pâncreas: Ator Antonio Banderas vai apoiar financeiramente a pesquisa do Dr. Mariano Barbacid



Um dos maiores nomes do cinema espanhol, Antonio Banderas decidiu transformar prestígio em ação concreta ao anunciar investimento em um projeto de benefício social.


No texto publicado, Banderas diz que, em um momento de “violência, confusão, desencanto e estupidez”, a ciência vira um ponto de lucidez. Também cita Barbacid e sua equipe como exemplo de trabalho constante.


O apoio será fornecido pela Fundación Lágrimas y Favores, presidida pelo ator, que promete “aportar seu grão de areia” para ajudar o grupo a avançar para a próxima etapa. Nem a publicação,nem as matérias consultadas detalham o valor do aporte.


A movimentação acontece junto a uma campanha de financiamento para manter o projeto de pé. A meta inicial citada em reportagens foi de 3,5 milhões de euros (21.650.000,00 milhões de reais), ligada a uma fase do estudo, mas especialistas ouvidos pela imprensa também mencionam que o custo para chegar a testes em humanos pode ser muito maior.


Por que o pesquisador Barbacid está sob os holofotes

Chefe do Grupo de Oncologia Experimental do CNIO (Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas) da Espanha, o professor Mariano Barbacid ganhou notoriedades liderar estudos que eliminaram o câncer do pâncreas em animais.


O estudo foi publicado na PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) e descreve uma estratégia de atacar a mesma rota tumoral por mais de um ponto ao mesmo tempo.


A chamada terapia tripla combina daraxonrasib, um inibidor de KRAS em investigação, afatinib, um medicamento já aprovado para alguns tumores, e SD36, um degradador de STAT3 (Transdutor de Sinal e Ativador da Transcrição 3).


Nos experimentos descritos, os tumores regrediram e não houve evidência de resistência por mais de 200 dias após o tratamento em determinados modelos.


A ponte até humanos ainda é longa

Apesar do impacto, o próprio CNIO ressalta que o grupo ainda não está pronto para iniciar ensaios clínicos com essa combinação e que otimizar a terapia para uso em pacientes deve ser difícil, com ajustes de formulação, dose, segurança e seleção de perfis tumorais que respondam melhor.


O interesse em torno do tema cresce porque o câncer de pâncreas segue entre os mais letais no mundo: a estimativa global para 2022 foi de 510.992 novos casos e 467.409 mortes.


Nos Estados Unidos, a taxa de sobrevida relativa em cinco anos aparece em 13% no total, com variação relevante conforme o estágio do diagnóstico.


Nos bastidores, a discussão também virou sobre dinheiro e expectativa. Outras análises sobre o caso reforçam que o artigo é um resultado relevante, mas ainda limitado ao ambiente pré-clínico, e que a comunicação em torno de “cura” pode distorcer o que foi de fato demonstrado.


Entre os principais pontos levantados estão a distância entre o comportamento do tumor em camundongos e a complexidade do câncer de pâncreas em pacientes. Além disso, o fato de que o estudo ainda não cobre todos os cenários mais comuns na clínica, como doença avança e a metástase, onde tratamentos promissores costumam perder desempenho.


Também entra na conta o desafio de desenvolvimento do esquema completo. O daraxonrasib já está no pipeline clínico como inibidor de RAS, mas a combinação inclui um degradador de STAT3 que, na prática, ainda precisa passar por etapas de otimização e validação antes de virar um candidato viável para testes em humanos, com ajustes de dose, segurança e farmacologia.


É por isso que o próprio CNIO descreve o achado como um caminho para novas terapias combinadas, sem promessa de aplicação no curto prazo.


Da redação/Itapuama FM.

Informações: El Debate/Madrid.

Tradução: Zalxijoane Ferreira.

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