Cachês em alta ameaçam festas juninas, alertam prefeitos
- Zalxijoane Ferreira

- 27 de jan.
- 3 min de leitura

Do blog do Marcello Patriota
Prefeitos do Sertão do Pajeú estão preocupados com os altos valores dos cachês dos artistas que deverão ser contratados para as festas juninas em 2026.
Os gestores, que alertaram para o risco de inviabilidade da realização dos festejos, principalmente nas cidades menores, também pedem abertura de diálogo com órgãos de controle. Segundo eles há necessidade de se buscar os critérios de precificação dos shows ou uma tabela de valores que possam assegurar a realização das tradicionais festas juninas.

Nesta terça-feira (27), Luciano Torres concedeu entrevista ao jornalista Marcello Patriota - no Programa Giro Pelos Blog’s, na Radio Cultura FM 94,7 de São José do Egito - onde manifestou preocupação com a disparidade nos valores cobrados por artistas e produtoras, além do impacto da inflação sobre a estrutura dos eventos, como palcos, sonorização e iluminação.
De acordo com Luciano Torres, a criação de um tabelamento ou de parâmetros de referência pode trazer mais equilíbrio e segurança às administrações municipais.
"Precisamos e estamos articulando com o Presidente da AMUPE Marcelo Gouveia para buscar uma reunião com o Ministério Público de Pernambuco, com o Tribunal de Contas do Estado e outros órgãos para alinhar esse entendimento. Talvez seja o momento de criar uma tabela para os municípios, principalmente os menores. Acho que já está na hora de tabelar”, afirmou.
Em contato com o blog do Marcello Patriota, o prefeito Gilson Bento, do município de Brejinho, disse que já tem um grupo de gestores que pensam da mesma forma de Luciano Torres. Segundo ele, cerca de 115 prefeitos estão nesse consenso.
"Do jeito que as coisas estão, em até três anos nenhum município conseguirá ter condições de realizar o São João. Se este ano for igual ao ano passado, os custos devem aumentar cerca de 50%. Antigamente, com R$ 300 mil você fazia uma boa festa junina. Hoje, com esse valor, não se contrata nem a produção sonora para o palco”, pontuou outro gestor.
Prefeitos reforçam que a discussão não representa um embate com artistas ou produtoras, mas sim uma preocupação com a capacidade financeira dos municípios. Os preços praticados atualmente parecem seguir uma lógica própria, distante dos indicadores econômicos tradicionais.
Gestores pretendem, agora, articular reuniões com órgãos reguladores para discutir alternativas que garantam transparência, equilíbrio fiscal e a continuidade dos festejos juninos, preservando uma das tradições culturais mais importantes do Nordeste.
Nos bastidores do entretenimento nordestino, um alerta vermelho já está aceso há tempos. Gestores afirmam que o modelo atual se tornou insustentável e os primeiros impactos já começam a ser sentidos nos eventos tradicionais.
Cachês projetados para o São João de 2026, segundo informações da GS News, os valores médios praticados atualmente são:
• Wesley Safadão – R$ 1,5 milhão
• Luan Santana – R$ 1,2 milhão
• Simone Mendes – R$ 900 mil
• Nattan – R$ 900 mil
• Natanzinho Lima – R$ 850 mil
• Xand Avião – entre R$ 750 mil e R$ 800 mil
• Calcinha Preta – R$ 650 mil
Segundo relatos de prefeitos, em reserva, os cachês dos artistas pode inviabilizar as tradicionais festas. Prefeitos do Pajeú, em grupos privados dos gestores, estão preocupados com valores exorbitantes cobrados por artistas.
“A maioria dos artistas está cobrando em eventos valores acima do mercado para festas de prefeitura. A conta simplesmente não fecha mais e, um detalhe, o imposto as bandas aumentam no cachê, e quem paga? A prefeitura. O povo cobra artistas de nome, mas por vezes não cobra serviços básicos que não são entregue por gestores. O impacto dessa realidade já é concreto", alertou outro gestor do Pajeú.
Da redação/Itapuama FM. Informações e imagem: Blog do Marcello Patriota.









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