No Dia Nacional da Visibilidade Trans, Canal Brasil lança série 'Paloma'; atriz Renna Costa integra elenco
- Zalxijoane Ferreira

- há 5 dias
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A série "Paloma" estreia no Canal Brasil nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro, às 22h, com exibição de um episódio por semana. Dirigida por Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes, a produção foi filmada no Recife (PE), com locações nas cidades de Bezerros e Caruaru, entre outubro e novembro de 2024.
A obra expande o universo do longa-metragem "Paloma" (2022), também dirigido por Marcelo Gomes e protagonizado por Kika Sena, primeira artista trans a vencer o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio (2022).
"No final do filme 'Paloma', a personagem sai em busca de um destino melhor para sua vida e muitas pessoas perguntavam o que teria acontecido. Acho que esse sentimento se deu pelo carisma que a personagem promovia, mas também pela riqueza de detalhes e peculiaridades das personagens em seu entorno. Esse foi o primeiro estímulo para descobrirmos o filme em uma série", afirmou o diretor Marcelo Gomes em entrevista exclusiva para TELA VIVA, do Canal Brasil
"Em seguida, o fato é que é raro o audiovisual brasileiro apresentar o cotidiano de personagens trans que vivem no mundo rural. A série, então, poderia promover uma imersão ainda maior nesse universo da comunidade trans que vive longe dos grandes eixos urbanos do país abordando questões humanas, sociais e políticas pertinentes ao nosso tempo", acrescentou.
Na série, Paloma é uma mulher trans que enfrenta o risco de perder a guarda da filha, Jenifer, de 13 anos. Em busca de estabilidade financeira, ela assume diferentes trabalhos enquanto lida com conflitos familiares, disputas judiciais e a violência estrutural que atravessa seu cotidiano.

Cercada por um grupo de amigas, Paloma vê sua vida se transformar ao reencontrar o homem responsável pelo assassinato de Rickelly, sua melhor amiga, em um crime nunca solucionado.
A decisão de buscar justiça a leva a uma investigação marcada por desafios, ao mesmo tempo em que revela sua força como liderança – colocando em risco o vínculo mais importante de sua vida: a relação com a filha.
Para a diretora Maria Clara Escobar, um dos pontos mais interessantes do processo foi o exercício de pensar quem são essas mulheres no Brasil de 2026.
"Criamos, ao lado de Kika Senna, quem gostaríamos que Paloma fosse nos dias de hoje, depois de viver tudo o que ela viveu no filme. Queríamos muito dar um caminho de possibilidade para ela. E foi muito bacana, sobretudo, desenvolver as outras personagens e as suas subjetividades. O fato de ser uma série nos dá esse tempo e essa oportunidade. Para nós era importante formar um grupo diverso. Cada uma delas está fazendo um caminho, reage às situações de uma forma singular, e é essa multiplicidade de subjetividades que faz o grupo ser tão amável e poderoso. Com esse grupo de mulheres, descobrimos que se há amor e respeito, as diferenças só nos fazem mais fortes", avaliou.

Filmada em 2024, em meio a debates intensos sobre direitos e representatividade, "Paloma" também se propõe a provocar reflexão no público. A série atravessa temas como maternidade, preconceito, sistema jurídico e diversidade, inclusive dentro da própria comunidade, sem perder de vista o afeto, a coletividade e a possibilidade de transformação social.
Paloma e as outras personagens da série são mulheres – que passam por desafios, enfrentamentos e preconceitos, mas isso não diz tudo sobre elas, conforme salienta a dupla de direção.
"Para nós era fundamental que a história não se tratasse apenas disso. Por isso, a questão da união desse grupo diverso, às vezes incluindo mulheres cis também, é tão fundamental. É importante que nós fomentemos um audiovisual que vê as pessoas trans como pessoas, antes de mais nada, que seja normalizada a presença delas, seja na frente ou atrás das câmeras. Para que elas, de fato, tenham liberdade – para estarem onde quiserem, falarem sobre o que quiserem e também de errarem. Quanto mais pessoas trans no audiovisual, melhor o audiovisual será".
Outra diversidade relevante do projeto foi a regional. A série foi filmada no Recife, com locações nas cidades de Bezerros e Caruaru.
"Quanto mais variada em termos temáticos e regionais for a produção audiovisual de um país, mais diversificada vai a ser a visão desse país", avalia Gomes.
"No caso do Brasil, um país com escalas continentais, é fundamental uma produção que dê conta de todas as suas contradições e nuances. 'Paloma' é rodado no agreste de Pernambuco, apresentando uma região pouco conhecida do Brasil e a situação de uma mulher no interior de Pernambuco. Isso só enriquece a programação do Canal Brasil num momento que a produção pernambucana está tão em evidência. No agreste do estado, Paloma, mais do que enfrentar as batalhas cotidianas, luta pela sobrevivência e pelo resgate de sua autoestima sem jamais perder a ternura e o sorriso no rosto. Ela utiliza seu corpo, sua voz, sua inteligência e seu humor como um argumento para persuadir e influenciar pequenos e grandes grupos oprimidos. Esse é seu canto por onde quer que passe", conclui.
Além dos episódios semanais, às quintas-feiras, às 22h, "Paloma" terá reapresentações aos sábados, às 21h; às sextas, às 23h; e às segundas, às 20h. O Canal Brasil também exibe maratonas especiais nos dias 24 de fevereiro, às 20h; 26 de fevereiro, às 22h30; e 1º de março, às 21h30.
Sobre a estreia da série Paloma e o Dia Nacional da Visibilidade Trans, a atriz, cantora, produtora e ativista, Renna da Costa - que integra o elenco da série - falou na tarde desta quinta-feira ao programa De Primeira Categoria, na Itapuama FM. Confira:
Da redação/Itapuama FM. Informações: Mariana Tolêdo, do Canal Brasil. Imagens: Divulgação/Carnaval Filmes/Canal Brasil.









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